terça-feira, 31 de agosto de 2010

Em busca da felicidade

O Pássaro Azul

Gosto muito daquele clássico filme: O Pássaro azul, que tem a Shirley Temple, como protagonista no papel de uma menina que, tendo ouvido falar de um pássaro azul da felicidade, passa a procura-lo, a todo custo, juntamente com seu irmão. Eles se envolvem em mil e uma aventuras e perigos em terras e mundos bem distantes. Mas, ao final, acordam, e vem que tudo não passava de um sonho. No entanto, no aconchego do lar, na companhia de seus queridos pais, descobrem algo fascinante. Sim, o pássaro azul estava o tempo todo dentro de sua própria casa, enquanto, eles, iludidos o procuravam em terras tão distantes.

Bem, mas, agora, tendo o encontrado, passam a lembrar-se de uma amiga vizinha, que, embora também sonhasse em encontrar o pássaro azul, se achava acamada por uma enfermidade, que a impossibilitava de sair em sua captura. Quando a Shirley Temple dá o pássaro azul para a sua amiga, ela fica tão feliz, que não consegue se conter. Toma o pássaro em suas mãos, mas, descuidada, o deixa escapar. Então, ela, arrasada, começa a chorar, como se a felicidade houvesse partido para bem longe, abandonando-a para sempre. A Shirley passa, então, a consolá-la dizendo que ela certamente encontraria de novo aquele lindo pássaro azul. Mas, desconfiada, a amiga questiona: “Como é que você pode ter tanta certeza?” Ao que a Shirley, com aquele sorriso maroto, responde: “Porque agora sabemos onde procurar!”.

Puxa! Que lição! Embora o filme trate de uma estória infantil, a sua mensagem diz respeito a todos nós, quer sejamos jovens como aquele Filho Pródigo, que, iludido, abandonou a casa de seu amoroso pai para se aventurar em terra estranha em busca de novas emoções e, que, por fim, acaba mesmo é quebrando a cara (Lc 15); quer sejamos adultos, pois, quantos não há que se deixam levar pela cobiça egoísta, passam a agir como adoscentes, desprezando o que tem dentro de suas próprias casas em busca de uma enganosa felicidade. Sabe, às vezes, é tarde demais, quando descobrem que, por conta de prazeres passageiros, acabaram desprezando e jogando fora o que tinham de mais precioso. Como resgatar agora aquilo de que sentirão falta pelo resto de suas vidas? Melhor prevenir...

A estória do pássaro azul no ensina que é necessário agir com sensatez, de maneira a fazermos escolhas que leve em consideração a nossa vida como um todo – para não nos arrependermos mais tarde. Vivemos num mundo liberal e pecaminoso, onde o egoísmo e o individualismo parecem imperar quase que se rivais. Somos tentados a agir segundo o modelo existencialista e hedonista do carpe diem, que concebe a vida apenas em termos do aqui e agora, estimulando as pessoas a extraírem o máximo proveito dela possível ainda que isto implique em sacrifício de valores tão elevados como os da família. Em nome da felicidade individual, sacrificasse a felicidade coletiva, que costuma a redundar em sofrimento e tristeza generalizada até mesmo para o indivíduo que pensou mais em si do que no cônjuge e filhos.

Mas, na verdade, os homens, não devem agir como animais irracionais e inconsequentes que vivem em busca de satisfazer os seus instintos mais primitivos. Como as crianças do filme, precisamos despertar do sonho ilusório de que a felicidade está longe de casa. A grama do vizinho pode até parecer mais verde, mas isto pode ser mera ilusão de ótica. Há caminho que ao ser-humano parece ser bom, mas, no final, revela-se como caminho de morte (Pv 14.12). A experiência demonstra que não existe atalho para a felicidade. "Ensina-me Senhor o Teu caminho" (Salmo 27:11).

A Família é um grande investimento, com dividendos terrenos e eternos. “Porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração” (Mateus 6:21). Felicidade não é apenas algo que se encontra, mas é algo que se constrói e que se mantém. Valorize a família!


Bispo José Ildo Swartele de Mello