sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Mantendo o Natal


Tenho visto diversos protestantes, de tempos em tempos, ressuscitarem velhas questões de um puritanismo mais radical (quando digo puritanismo, me refiro realmente àquele movimento inglês que tentou de todas as formas abolir tudo o que lembrava catolicismo da Igreja da Inglaterra), no sentido de não se comemorar o Natal por ser uma invenção da Igreja, uma data pagã, por assim dizer.

Ora, atualmente, ninguém nega que Jesus realmente não nasceu no dia 25 de dezembro, e que, na data, comemorava-se outra divindade. A Igreja, salvo melhor juizo, nunca negou isso.

Fato é que, a Igreja Antiga entendeu ser sábio, em certo sentido, mater os símbolos antigos, pertencentes a outras religiões e crenças, esvaziar-lhes o conteúdo e dar um conteúdo cristão aos mesmos símbolos. Seria muito difícil traçar um dado historiográfico exato acerca dos primeiros anos da vida de Jesus, pois simplesmente tais dados não existem. Daí, de fato, ser realmente uma data e uma festa simbólica.

Entretanto, se acatarmos a sugestão deste puritanismo radical, jogaremos agora fora, tanto o símbolo como o seu conteúdo; não sobrará nem um, nem o outro; e cada denominação, cada micro comunidade estará criando novos símbolos, refletindo muito mais uma mentalidade de gueto do que o espírito católico (kata + olon = segundo o todo).

Por  isso, sou favorável à utilização de símbolos, todos eles, ainda que de forma exagerada, algumas vezes, possam extrapolar o verdadeiro sentido do natal; sou favorável a presépios, velas, cultos e missas celebrando o nascimento do nosso Senhor. Se destruírmos os símbolos, talvez o conteúdo se perca, da mesma forma que, se rompermos os odres, o vinho se perde...