sexta-feira, 18 de março de 2011

O Refletir Teológico nos tempos de tragédia

Em tempos de tragédia como a que está ocorrendo no Japão, sempre passa a haver uma séria contestação da teologia tradicional acerca das possibilidades da intervenção de Deus no mundo.

Há uma teologia, por exemplo, que diz que o Senhor de modo algum saberia o que estava para ocorrer, visto que, em sua soberania, decidiu autolimitar-se para resguardar a liberdade humana, bem como as próprias leis da natureza. Neste sentido, não vejo muitas diferenças entre o chamado "teísmo aberto" e o "deismo". Esta última corrente de pensamento, não obstante aceitar a existência de Deus, insiste em que este não interfere no andamento do Universo que Ele mesmo criou.

Existem também os cristãos que neste momento adotam uma postura "agnóstica", no sentido de não saberem, de modo algum, explicar o que ocorreu, nem porque ocorreu, e nem acham que tal explicação existe neste mundo. Estes, das quais confesso muitas vezes me enquadro e me enquadrei, têm a vantagem de não falar bobagem. A desvantagem é pelo fato de não se posicionar, o que muitas vezes pode denotar uma postura covarde, "em cima do muro".

Entre todas as respostas, há também a conservadora, ou tradicionalista, que, ao que me parece, é a mais bíblica, por assim dizer. As coisas acontecem, seja pela vontade permissiva de Deus (arminianismo), ou seja pelo próprio decreto divino (calvinismo). Tanto uma quanta outra posição resguardam o caráter soberano de Deus, sob perspectivas diferentes, e não negam a possibilidade de uma intervenção sobrenatural na Criação. Estas perspectivas são as mais contestadas. Seus inimigos dizem: "se é possível a intervenção de Deus no mundo, porque não impediu tal tragédia?"

Não são questões fáceis de serem respondidas; não sei se o teólogo deve se abster de tentar respondê-las. Questionar a teologia tradicional acerca deste assunto é solapar as bases de toda religião judaico-cristã, visto que o Mestre ensinou que "nem um fio de cabelo de nossas cabeças se perde sem a anuência de Deus". Muitos acham que os calvinistas soam muito arrogantes em sua postura; entretanto, entendo que sua perspectiva também pode ser de humildade, pois confia na imensa soberania de Deus. Vejam que, nós não adoramos um Deus distante, o "Totalmente Outro", mas sim o "Emanuel", o "Deus conosco, que sabe o que é padecer.

O texto a seguir, que li a partir de um blog de um apologista católico romano, o Professor Angheth, defende um posicionamento tradicionalista acerca de ocorrências trágicas na história da humanidade. Sua perspectiva provocou (e provoca) a ira de muitos, visto defender, tanta a soberania, quanto a sabedoria de Deus nestes acontecimentos. Deixo o link do texto abaixo, para quem quiser examiná-lo. Faço isso porque, seja no meio católico, seja no meio protestante, tem sido um discurso bastante impopular, considerado fundamentalista, e até fanático, por alguns. Mas aqueles que temem ao Senhor, que se preocupam com a missão no mundo, com a devida vênia, não podem se furtar de pensar no assunto.

Mas antes, só quero deixar consignado que, não importa a postura que se adote, a atuação cristã no mundo consiste no socorro aos que estão padecendo, orar pelos que sofrem, ajudar material e espiritualmente. Não estamos no mundo para julgar, mas para servir, socorrer. Que o Senhor tenha misericórdia do Japão, e de tantos outros lugares e povos dos quais, em não poucas oportunidades, se abate a tragédia e a dor.

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