segunda-feira, 2 de maio de 2011

Educação Teológica

Não faz muito tempo tenho trabalhado com educação teológica, seja na igreja que congrego, seja em outros ministérios, seja em institutos bíblicos, bem como na faculdade de teologia em que me formei (o que me dá muita alegria); mas não vivo disso, infelizmente. Tive oportunidade de ministrar algumas matérias, vistas de forma relativamente superficial, confesso. Matérias como pneumatologia, cristologia, eclesiologia, introdução à teologia, metodologia científica, etc. Não sou “expert” em nenhuma destas áreas; é que há muita necessidade de “mão de obra” na periferia de São Paulo, e como sempre estive mais ligado à cursos mais populares, é preciso ser um pouco eclético e procurar transmitir ao menos noções da matéria; e pelo menos noções eu tenho.

O quadro teológico de boa parte da igreja não é muito promissor. Isso porque, impera muito a noção de que teologia não serve para muita coisa, sendo que algumas igrejas não incentivam muito ainda tal reflexão. Preferem educar o seu fiel “na visão da igreja”, que coloca o “obreiro” na cadeia produtiva de sua própria denominação, sempre autoritária, diga-se de passagem. (Em certa ocasião, um aluno, revoltado com a visão diferente da sua em que eu ministrava na sala de aula, levantou e começou a grita comigo e com os demais alunos, como se fosse um profeta. Foi bem divertido! Depois, nos tornamos amigos). Mesmo assim, é possível ser otimista, pois sempre pipocam pessoas, em todos os lugares, que desejam adquirir saber teológico e refletir sobre os conteúdos da fé. A educação teológica, entendo, pode ajudar a termos uma visão humilde acerca de todo este complexo de fé e tradição chamada de teologia cristã, além de, no meu labor, procurar transmitir a tolerância em relação às várias tradições e correntes de pensamento teológico. Já disse alguém que, quem educa, não pode odiar.

Entendo que o professor de teologia (e quiçá, de outras disciplinas) tem um “material humano” muito rico em suas mãos. Isso porque, o aluno já chega carregado de conteúdos, e isso é muito interessante. O professor de teologia, no meu entender, não deve ser um “despejador” de conteúdos, como se estivesse dando aula em um cursinho, nem deve ser alguém que impõe dogmas e doutrinas. Como professores, podemos colocar tópicos, e deixar que a sala se manifeste acerca do assunto. Claro que podemos e devemos ter nossos posicionamentos, e deixar isso claro diante dos amigos (eu mesmo, sou bastante conservador e careta, em muitos aspectos); mas não impô-los. Penso que devemos deixar na sala de aula fluir um clima, um ar de liberdade em que o aluno não tenha medo de expor sua opinião (visto que o ambiente eclesial geralmente isso não é possível). É lugar em que o aluno não pode ter medo de ser tachado de herético. Além do que, o próprio professor se beneficia em ouvir o que expõe a comunidade hermenêutica. É gente muito preciosa, muito valiosa que temos em nossas mãos. Não temos o direito de humilhar, nem intimidar ninguém com o nosso conhecimento. Por exemplo, em uma aula que dei, estudamos o tema acerca da “influência cultural no labor teológico cristão”. Pensamos em tantos temas, viajando na questão do espaço da mulher na igreja, bem como da questão homoafetiva. Uma aluna, de uma igreja de visão bem conservadora, expressou opiniões riquíssimas que dificilmente expressaria em sua comunidade. Todos saem ganhando. Óbvio. Conforme disse, há espaço para a opinião do professor também. Mas que, na avaliação, não se peça na prova para que o aluno responda somente de acordo com a sua visão, mas que tenha liberdade de expor o seu pensamento. Quando a aula é assim, o aluno não tem vontade de ir embora; nem o professor.