segunda-feira, 1 de agosto de 2011

A oração que Deus não ouve



“Aquele que tapa o ouvido ao clamor do pobre também clamará e não será ouvido” (Provérbios 21.12).


Há determinadas atitudes, que, segundo as Escrituras, ensejam uma não resposta a oração de quem a faz.

Uma destas atitudes é exatamente a descrita no versículo acima: o descaso para com os pobres.

Jesus nos deu alguns exemplos de clamores que não foram ouvidos por conta de tal atitude.

Um deles é o que está descrito no Evangelho segundo S. Lucas, Cap. 16, vers. 19-31, em que conta acerca do descaso de um rico para um mendigo chamado Lázaro.

Diz o texto que Lázaro jazia à porta daquele rico que não o ajudava, quando ambos morreram. O rico foi para o inferno, e Lázaro, para o seio de Abraão.

Nota-se que, no evangelho, somente o nome do mendigo é citado. O nome do rico, não. Isso parece demonstrar que o mendigo tem a consideração de Jesus para ser nomeado, e não o rico.

Denota-se daí, uma inversão de valores no Reino de Deus. No Reino, quem tem valor entre os homens, nada é, e aquele que valor não tem neste mundo, para Deus, tem.

Fato é que, quando o rico se deu conta de seu triste destino, fez a seguinte oração:

“Então, clamando, disse: ‘Pai Abraão, tem misericórdia de mim! e manda a Lázaro que molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado” (vers. 24).

Mas os eu clamor não foi ouvido, visto que Abraão respondeu:

“Filho, lembra-te de que recebestes os teus bens em tua vida, e Lázaro igualmente os males; agora, porém, aqui ele está consolado; tu, em tormentos” (vers. 25).

Ou seja, o clamor do rico não foi ouvido.

Jesus confirmou tal relato em Mateus, Cap. 25, vers. 31-46, acerca daqueles que também fizeram descaso dos mais necessitados:

“Então o Rei dirá também aos que estiverem à sua esquerda: ‘Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos. Porque, tive fome e não me destes de comer, tive sede, e não me destes de beber; sendo forasteiro, não me hospedastes; estando nu, não me vestistes; achando-me enfermo e preso, não fostes ver-me” (vers. 41-43).

Por outro lado, o contrário também é verdadeiro. Há o exemplo de um centurião de nome Cornélio, cujo clamor foi ouvido. Segundo o relato descrito em Atos, Cap. 10, Cornélio era um homem que fazia muitas orações e realizava muitas esmolas (vers. 2). Cornélio recebeu a visão de um anjo que lhe disse: “As tuas orações e as tuas esmolas subiram para memória diante de Deus” (vers. 4).

Ou seja, Cornélio foi um homem que, mesmo antes de se converter a Jesus, já tinha memória diante do Senhor!

Portanto, segundo as Escrituras Sagradas, o Senhor tem disposição para ouvir aquelas pessoas que exercem caridade, e que manifestam interesse pelos mais necessitados da sociedade. Há sempre a tentação de desviarmos nossos ouvidos ao clamor do pobre, e nos fixarmos somente em nossos interesses. Jesus ensinou muito sobre este assunto nos evangelhos. Ele determinou que déssemos esmolas para ajuntarmos tesouros nos céus (Lucas 12.33), e que, quando déssemos um banquete, não convidássemos nossos amigos, mas sim aqueles que não poderiam retribuir (Lucas 14.12). Estes são apenas alguns exemplos. Além dos Evangelhos e do Novo Testamento, temos na Lei e nos Profetas muitos ensinos sobre o cuidado para com os pobres. Tanto é que, quando ao rico do Cap. 16 de Lucas foi negado o pedido para ir avisar seus parentes, Abraão lhe disse: “Eles têm Moisés e os profetas; ouçam-nos” (vers. 29).

Assim também, que o Senhor nos ensine a não desviarmos os nossos ouvidos do clamor dos pobres, para que porventura, nosso clamor também não seja ouvido diante d’Ele.

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