quarta-feira, 28 de setembro de 2011

A oração que Deus não ouve - parte II

“Aquele que desvia os seus ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração é abominável” (Prov 28.9).

Já meditamos aqui, em outra oportunidade, na Oração que Deus não ouve - parte 1, no que diz respeito a alguém virar as costas ao clamor do pobre.

Agora, temos um outro exemplo de oração que é considerada abominável pelo escritor de Provérbios: é a oração de quem desvia os ouvidos de ouvir a lei.

E, quando tal autor diz que, “até a sua oração é abominável”, significa dizer que algo anteriormente que tenha feito também é considerado assim. Ou seja, ele pecou antes de desviar os ouvidos de ouvir a lei. Provavelmente alguém o confrontou com tal fato, e ainda assim, não deu ouvidos.

Isto porque, nada era mais importante na religião dos israelitas do que ouvir a lei, e ser um observador fiel dela. Tais conselhos vêm desde Moisés, passando por Josué, os Juízes, Reis e Profetas. Por maiores que sejam os milagres descritos na velha aliança, havia uma sensação de que o que de mais precioso havia sido dado àquele povo era a lei.

Aplicando isso aos cristãos, desde os tempos do primitivo cristianismo, temos inúmeras exortações à importância da escuta atenta às Sagradas Escrituras, complementando os textos da velha com os da nova aliança.

Quem se desvia sistematicamente da escuta atenta das Sagradas Escrituras, negando-se a lhe dar o verdadeiro valor em sua vida, infelizmente, terá sua oração considerada como abominável, segundo a Palavra do Senhor.

A. W. Tozer chegou a escrever certa vez que “tudo o quanto o afastasse das Escrituras seria considerado como seu inimigo mortal”.

Às vezes, alguns desviam os ouvidos de ouvir a lei simplesmente porque ela os contraria em seus pecados. Eles se afastam indignados, entendendo que a lei não é aplicável a eles.

Outras vezes, a rebelião não é aberta. Finge-se ouvir a Palavra de bom grado, entretanto, sem nenhuma transformação de vida. Uma atitude mais hipócrita, por sinal.

De qualquer modo, se desviarmos os ouvidos de ouvir a lei não adiantará muito orar, pois o modo pelo qual o Senhor nos fala mais vivamente nestes dias é justamente pela escuta e leitura atenta da sua Palavra. As Escrituras ensinam que Jesus enviaria o seu Espírito Santo a fim de que Ele nos lembrasse tudo o quanto o mestre ensinou. E, no nosso caso, a melhor forma disso acontecer é termos as Escrituras na mente, pois caso contrário, não haverá do que sermos lembrados.