quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

O Pai nosso que está nos céus




Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome (Mateus 6.9);




  
"Que estás nos céus".

Isso não é o reconhecimento de um lugar físico, como se fosse "no alto".

É o reconhecimento da transcendência de Deus.




Para a teologia cristã, Deus não  pode ser plenamente conhecido pelas coisas criadas.

Dou um exemplo, extraído do livro "Cristianismo Puro e Simples", de C. S. Lewis.

Digamos que você construa uma casa.

Ao olhar para esta casa, poderei conhecer muitas características suas.

Posso conhecer se você teve bom gosto na disposição dos cômodos, na pintura, tamanho da cozinha, do banheiro, etc.

Mas só conhecerei de forma mais profunda o construtor da casa se for a ele apresentado pessoalmente.

Assim também acontece com Deus.

Posso conhecer algumas de suas características ao vislumbrar a natureza, o quanto Ele é bom, perfeito e belo. Algo em nós reconhece o que há de bom em toda a criação, gerando gratidão, ainda que não estejamos muito conscientes disso.

Entretanto, não faço idéia plena de quem o autor desta mesma criação possa ser, pois ele não se confunde com ela, pois, Ele é o Pai nosso "que está nos céus".

Por isso, se eu divinizar qualquer coisa criada, qualquer objeto de culto, estarei cometendo o que as grandes religiões (judaica, cristã e islâmica) chamam de idolatria, pois acabo conferindo características absolutas àquilo que é relativo.

Tudo neste mundo é relativo e está sujeito à deterioração.

Por isso, não posso colocar meu coração absolutamente nelas, pois elas perecerão.

E esta é a característica da idolatria. Colocar a nossa sede de eternidade naquilo que passa: um emprego, um marido, um filho, etc.

Nada neste mundo é plenamente nosso. Nem nós mesmos.

Por isso Jesus mandou que não andássemos ansiosos.

Se tudo neste mundo tem a tendência de deteriorar, mesmo os nossos melhores sentimentos, preciso me ligar a algo eterno para que estanque o processo de morte, ou seja, Deus, que é a fonte de toda eternidade e amor.

Tudo que não estiver ligado ao Pai perecerá.

E você jamais deixará de pensar nestas questões, pois o ser humano busca eternidade em quase tudo o quanto faz... (Paul Tillich)