domingo, 1 de janeiro de 2012

O pão


O pão nosso de cada dia nos dá hoje (Mateus 6.11);

Pão é um alimento básico existente em praticamente todas as culturas, e na judaica, não poderia ser diferente.

Algo que, espera-se, seja sempre acessível a todos, pobres ou ricos, de qualquer camada social.


Alguns padres antigos interpretaram pão simbólicamente, como se fosse o pão eucarístico, ou um alimento espiritual, e não o pão cotidiano, feito de água, trigo, farinha, sal... Por conta da mentalidade grega, que parecia valorizar mais o metafísico em prejuízo do físico, achavam um pouco indigno que se tratasse do pãozinho normal.

Mas para os judeus, pão era pão mesmo, e não tinha nada de errado com isso... (assim como também não é errado que se deseje o alimento espiritual..)

E de fato, nada há de errado em desejar a ajuda do Pai em relação ao pão cotidiano...

Para o Antigo Testamento, tudo o que Deus criou é bom.

Depois de ter criado água, vegetais, animais, toda a natureza, Deus viu que era tudo muito bom (Gen 1.31).

E nós somos seres deste mundo (pelo menos, ainda não cresceu asas em nenhum de nós, penso...)

E o pão é a natureza transformada pelo trabalho humano, algo que também o Senhor desejou; ou seja, "tudo de bom também".

Deus não é Deus somente da alma, das coisas etéreas, metafísicas, mas sim o Deus de todo o ser.

Lutero interpretou o pão como as coisas simples, básicas da vida, mas que saciam nossas necessidades, e que não dão alegria e paz.

Deus não deseja que ninguém seja miserável, privado de pão, mas que com simplicidade, em ação de graças, reconheça que mesmo estas coisas simples da vida são presentes de Deus para nós, pois "tendo, porém, sustento, e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes" (1 Tim 6.8).

Por isso, nada de errado em orarmos pelo pão nosso de cada dia...

"Fui moço, e agora sou velho; mas nunca vi desamparado o justo, nem a sua semente a mendigar o pão" (Salmos 37.25).

Que assim seja em nossas vidas.