segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Teologia da Espiritualidade: O tratamento das paixões II - Pornea

Anteriormente, nesta série de postagens acerca da espiritualidade do deserto, falou-se acerca da "gastrimargia". Falaremos agora sobre a "pornea". 

Pornea (luxúria) é tratar o outro como coisa, e não como objeto de amor. É transformar o outro em um ser “consumível”, como mero objeto de deleite a ser usado, e depois dispensado. Não quer responsabilidade, somente o deleite. 

A desilusão, em diversos aspectos, também pode levar a um mundo da auto satisfação sexual, implicando na fuga para a fantasia, gerando prisão e dependência. Neste mundo de fantasia, a pessoa não presta satisfação a ninguém; é um mundo egoísta. 

Tanto atualmente quanto na antiguidade havia uma noção de que a entrega às paixões sexuais envolveria algum tipo de felicidade. Atualmente, tem havido o gradual desaparecimento do entendimento cristão acerca da maneira sexual correta de se viver, ou seja, tem sido abandonada a ideia de castidade. Castidade é viver de maneira íntegra a vocação sexual escolhida (seja o celibato, seja o matrimônio). 

Os padres do deserto viveram em um contexto de grande desinibição social, promovida inclusive oficialmente, seja pelo estado ou pela religião. Atualmente, a frenética atividade sexual é estimulada porque, entre outras coisas, é bem lucrativa, financeiramente falando. 

A sexualidade, para a tradição do deserto, não deveria ser reprimida, mas sim servir de estímulo às orações. O desejo sexual não satisfeito era todo direcionado para o fervor na devoção. 

A sexualidade nos torna extremamente dependentes de Deus, pois a castidade é um dom da sua graça. Ou ela nos domina, ou com o auxílio da graça, nós a dominamos. Eles entendiam que o sofrimento e a dor causados pelo reconhecimento da falta de castidade podem ser um bom incentivo para o aumento da fé, da virtude e da perseverança. 

Eles ensinavam que a castidade não deve ser considerada um fardo, mas uma virtude a ser amada. Ou seja, existe alegria na santidade do corpo. A castidade faz bem. Faz bem à mente, ao corpo e à alma. Por isso, deve ser desejada. O sexo, desenfreado, este sim é causa de grande dor e infelicidade.

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