quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Pensando um pouco acerca da questão da Síria

De acordo com reportagem descrita no site Voz da Rússia o Concílio Mundial de Igrejas, órgão ecumênico de cristãos de todo o mundo (ou pelo menos uma boa parte destes cristãos) estão se posicionando contra qualquer tipo de ingerência militar na Síria.

Muito se especulou na mídia, e muito se discutiu acerca das armas químicas que foram ali utilizadas, discutindo-se se o ataque teria vindo do governo ou dos rebeldes.

Todas as informações que temos é sempre de segunda mão (ou terceira, ou quarta). Nós mal conseguimos controlar e saber a veracidade das notícias que correm no nosso próprio bairro, empresa, quanto mais de uma situação em conflito do outro lado do mundo!

Fato é que, enquanto o ocidente, liderado pelos EUA, querem uma ingerência militar naquele país, os russos, aliados do ditador, são contrários.

Em relação aos cristãos daquele local, é uma unanimidade o fato de estarem sofrendo muito, conforme você pode ler clicando aqui. Os cristãos, até onde eu sei, no passado, apoiaram grupos que gostariam de um estado laico, não religioso, em que se apoiaria a liberdade de religião de todos. Entretanto, neste mesmo grupo havia muitos ateus, agnósticos, liberais, e muitíssimo muçulmanos também. Ao que tudo indica, os cristãos perceberam que uma vitória islâmica na região acabaria que por favorecer os grupos radicais, portanto, acabaram apoiando o ditador que, embora não fosse perfeito, pelo menos garantiria um equilíbrio religioso na região. Daí, muitos na mídia dizerem que, o apoio das forças ocidentais aos rebeldes da Síria favoreceria o fim do cristianismo naquela região, conforme alguns detalhes você pode ler clicando aqui. Talvez seja um pouco disso o que ocorreu no Egito quando o presidente islâmico assumiu o poder, ou seja, assumiu com um discurso mais liberal (até onde é possível ser islâmico e liberal) mas depois foi já tentando impor as ideias muçulmanas para toda a população. Como os cristãos e demais descontentes chiaram, e o presidente eleito foi deposto, os radicais islâmicos queimaram várias instituições e igrejas cristãs, principalmente coptas, mas também anglicanas, católicas e evangélicas, conforme você pode ler aqui.

Claro que, como cristãos, tudo o que desejamos é que as questões sejam resolvidas de forma diplomática e pacífica, conforme inclusive vem exortando o Papa Francisco conforme reportagem, no que deve ser apoiado por toda pessoa de bem. Creio que não dá para invadir um país e simplesmente impor uma forma de democracia ocidental. A realidade é que muitas vezes lutamos pelo "menos pior", e hoje, o menos pior, é a paz para todos, a convivência com as diferenças, com base em uma força que iniba os radicais, mas até o presente momento, creio que não virá por uma invasão ocidental. Outra medida deve ser tentada. Além do que, os fundamentalistas islâmicos não aprenderam e não querem aprender que democracia não é ditadura da maioria, e sim, o sistema que permite o governo por representantes da maioria, mas que garanta sempre a existência de uma minoria discordante, ou seja, tem que preservar a liberdade de expressão. 

Embora estejamos muito distantes de todos estes acontecimentos, sabemos que a geopolítica é algo complicado, e que as distâncias atualmente não são tão grandes assim. Países ocidentais, discussões acerca da democracia no mundo, religião e poder, o crescimento do radicalismo islâmico, perseguição aos cristãos, tudo isso está muito próximo de nós.

Enfim. Damasco foi o local da conversão do apóstolo dos gentios. O povo daquela região merece ao menos as nossas orações. Enquanto isso não ocorre, milhares e milhares de cristãos continuarão fugindo daquele local.