sexta-feira, 6 de junho de 2014

Pode um cristão participar de uma greve?



 
Tendo em vista tantas manifestações grevistas ocorrendo atualmente, alguém me perguntou se é lícito a um cristão participar de greves, como, por exemplo, no caso dos metroviários que está ocorrendo neste momento em São Paulo.
 
Sinceramente, não creio que existe uma resposta absoluta para tal questionamento. Cada caso deverá ser avaliado individualmente. Alguns entendem que, ainda que por analogia, a recusa do povo de Israel em continuar trabalhando para Faraó de algum modo poderia servir como inspiração para as paralisações. Outros, dizem que isso é forçar a barra.
 
Creio que um cristão tem o direito de se rebelar contra atitudes abusivas, injustas, escravagistas, discriminatórias, ou coisa do tipo, ainda que o deva fazer de forma pacífica. Creio que o cristão pode e deve participar de passeatas, manifestações, ou coisas do tipo, quando, conforme sua consciência, e em confrontação com a Palavra de Deus, sejam causas justas (sem embargo de podermos estar equivocados em nossas avaliações  do que seria ou não justo ou injusto). Entretanto, sinto ter que responder para alguns que a regra geral para a vida do cristão, no que tange  a este assunto, é a de não participar de greves, notadamente quando tal paralisação for prejudicar ainda mais pessoas.
 
Creio que essa seria a determinação apostólica. O apóstolo Paulo ensinou que devemos servir os nossos senhores na carne como se estivéssemos servindo ao próprio Cristo, na sinceridade do nosso coração (Efésios 6.5). Pedro ainda disse que os cristãos devem servir aos seus senhores, com todo o temor, não somente aos bons e cordatos, mas também aos perversos, porque isso é grato a Deus, que alguém suporte tristezas, sofrendo injustamente, por motivo de sua consciência para com Deus (I Pedro 2.18). E estamos aqui a  falar do ensino de dois dos maiores apóstolos da fé cristã. Acho muito difícil conciliar estes ensinamentos, e ainda muitos outros, com a possibilidade indiscriminada de se participar de movimentos grevistas.
 
O cristão não trabalha primeiramente para si mesmo, e sim para a glória de Deus. Ele tenta transformar o mundo pelo seu testemunho de amor, pelas orações, e claro, também pela sua palavra profética, quando isso implicar em denunciar atitudes abusivas e injustas. É também no sofrimento injusto e resignado que o cristão tem a oportunidade de se identificar com a vida de seu mestre. Motivações puramente egoístas não devem estar na ordem do dia de um discípulo.