segunda-feira, 8 de junho de 2015

A política não é o substituto do evangelho

Qual deve ser o envolvimento do cristão com a política, notadamente a politica partidária? 

Pelo menos duas respostas já foram dadas a este questionamento. 

A primeira é que o cristão deve estar em todas as áreas da sociedade. Que deve conquistar tudo para a glória de Deus, até mesmo a política. 

Neste sentido, uma vez no poder, ele deve lutar para implementar todas as reformas necessárias que se adequem àquilo que considera uma concepção cristã de vida.  Há cristãos inclusive que desejariam a implementação da religião cristã como oficial, o que, pelo menos na presente ordem constitucional não seria possível. 

A outra posição é a que diz  que nós não temos que estar envolvidos em cargos de poder político. Os que defendem tal posicionamento dizem que Jesus ensinou que seu reino não era deste mundo. Que só deveríamos dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. Que Jesus foi tentado pelo diabo com os reinos deste mundo, e que o inimigo de nossas almas não estava mentindo nem blefando quando se intitulou como governador deste mundo. Resumindo: tais cristãos entendem que política mesmo é do diabo! 

Entre tais concepções extremas há toda sorte de pensamentos. 

Uns dizem que a igreja (nenhuma delas) deve estar institucionalmente envolvida com a política partidária, mas que cristãos que se sentirem vocacionados podem e devem se envolver com a política para assegurarem pelo menos a consecução de princípios que se coadunam com inspirações de justiça, igualdade, proteção dos mais fracos, etc.

Independentemente qual seja a posição que o cristão assuma quanto a esta questão, ele não poderá se esquivar do fato de que Jesus deu à igreja a missão de pregar o evangelho. Ele não disse: ide e conquistai o poder em meu nome. Ele disse: ide e pregai o evangelho a toda criatura. A política, quando muito, só promove uma conformação exterior do cidadão à norma. O evangelho visa transformar o ser humano de dentro para fora. A política visa normas que devem ser aplicada a todos. O evangelho visa pregar a todos, mas reconhece que muitos irão rejeitá-lo. Portanto, não podemos confundir a política com o evangelho. 

Cristãos que se envolvem com a política precisam tomar cuidado para não envergonharem o evangelho. É uma posição pública e todo cuidado é pouco. Meu temor é que a atuação de evangélicos na política possa estar atrapalhando, ao invés de ajudar, o testemunho da igreja neste país. Se o mau testemunho de um crente pode atrapalhar, ainda mais o mau testemunho de um crente na política.

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