quarta-feira, 3 de março de 2010

Jesus poderia pecar?

Olá, prezados leitores!

Sempre que este tema surge em alguma discussão teológica em algum seminário, faculdade, as opiniões se dividem.

Curiosamente, em uma destas discussões que presenciei, um professor presbiteriano de renome defendeu a tese de que Jesus realmente poderia ter pecado.

Isto porque, caso assim não fosse, a encarnação teria sido um teatro, e o diabo, acusador do jeito que é, poderia dizer ao Criador que sua justiça não era perfeita, afinal, todo homem que é homem tem a possibilidade de pecar...

Obviamente, toda a sala de iniciantes acabou que por aceitar, razoavelmente, a tese do digno professor; e como eu estava mais como ouvinte do que participante, afinal, encontro-me na mesma posição de professor naquele local, acabei por não entrar muito em discussão...

Bom.

Fui educado sob uma escola de teologia um poco conservadora neste sentido.

Tanto é que, desde o início dos meus tempos de conversão, entendia-me com a divina missão de entender e ensinar um pouco do que aprendia acerca do ministério trinitário.

Por algum motivo que não sei explicar, desde quando eu mal conhecia os maiores embates teológicos, por algum motivo, meio que intuitivamente entendia que da doutrina trinitária dependia todo o cristianismo.

Sei que meus amigos liberais discordariam de mim, mas não é sobre isso que irei escrever agora.

Entretanto, por ser conservador, talvez meio fundamentalista segundo alguns me acusam, eu particularmente sou da opinião de que Jesus, mesmo sendo verdadeiro homem, não poderia pecar.

Isto porque, Jesus também é Deus, e Deus não pode pecar.

E Jesus não perdeu sua essência divina quando da encarnação. Não perdeu.

Isso não fez com que sua obediência ao Pai, que tudo o quanto "aprendeu" por meio do sofrimento seja falso.

Não, em absoluto.

Mas Ele, como homem perfeito, plenamente identificado com o Pai e a Ele unido, simplesmente não poderia pecar.

Até mesmo porque "Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo". Deus não peca...

Mas e quanto a acusação da injustiça da parte de Deus caso Cristo não pudesse realmente pecar?

Bom.

Como bom evangélico, penso o seguinte.

Jesus não era obrigado a se encarnar.

Mas se encarnou.

Jesus não era obrigado a morrer na cruz, e levar nossos pecados sobre o madeiro, rasgando o escrito de dívida, conforme as Escrituras afirma com veemência.

Portanto, Ele, ao não cometer pecado nenhum, ainda assim, levar sobre si os nossos pecados, não cometeu nenhuma injustiça, nem disso poderia ser acusado.

O justo morreu pelos injustos. Ora; se alguém sofreu injustiça foi Deus, não nós ou o diabo!

Por isso, o ato de salvação, não obstante ter se iniciado pela encarnação, ela, por si só, não a consumaria.

A salvação foi consumada pela morte de Cristo... e morte de cruz.

Daí o brado: "esta tudo consumado!"

Se Jesus somente tivesse se encarnado, e não morrido por nós, em nosso lugar, ninguém seria salvo.

Por isso, a morte de Cristo é o grande ato salvífico de Deus, o levar, de algum modo que não conseguimos compreender, os pecados da humanidade sobre si.

Não há, portanto, injustiça de Deus se Jesus não pudesse, por ser o Filho de Deus, realmente pecar, visto que, sem precisar, ele deu sua vida para nos salvar, o justo pelos injustos, o santo pelos pecadores, quando nada disso precisava fazer, tendo sido movimento somente pelo seu amor e compaixão.

É o que tenho pensado e sustentado até aqui.