segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Um pai segundo o coração do Pai


Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que está nos céus... (Mateus 6.9)


Jesus nos ensinou a chamar a Deus de Pai. Não ensinou a chamar de mãe. Se quisesse, ele poderia ter feito isso, mas não o fez. Ele quebrou muitos paradigmas, mas não ao ponto de dizer que tanto fazia chamar a Deus de pai ou de mãe. Isso não significa, a meu ver, nenhum tipo de superioridade do homem em relação à mulher, mas sim que há algo referente ao comportamento masculino que do homem é exigido, e que tem o próprio Deus como modelo. Em tempos como os nossos, muitos não aceitariam este tipo de constatação baseada nas Escrituras, e este texto não pretende convencer ninguém, mas somente argumentar de maneira prática e devocional quais seriam as características de um “pai segundo o coração do Pai”. Um pai que siga o exemplo do nosso Grande Pai em seu ofício, em sua função. Como cristão que crê na autoridade das Escrituras, entendo que há algo no ofício de pai, que nos remete a Deus. Ou algo em Deus, que nos remete à paternidade. Quais seriam, portanto, algumas das características de um pai segundo o coração do Pai?

Em primeiro lugar, um pai segundo o coração de Deus, é alguém que lhe procura ter como modelo. Alguém que quer ter um coração igual ao de Deus. Para chegarmos cada vez mais a uma compreensão de quem Deus é, precisamos estudar os seus atributos contidos nas Sagradas Escrituras. Por exemplo, sabemos pelas Escrituras que Deus é Santo, Misericordioso, Justo, Compassivo, Benigno, Maravilhoso, Provedor, Amor, entre muitos outros. Cuidam-se do que em teologia chamamos de atributos comunicáveis de Deus, ou seja, aqueles atributos que o Criador comunica às suas criaturas. De algum modo, o pai terreno deve trazer a lembrança de Deus à sua família e aos seus filhos. O verdadeiro homem é aquele que lembra Deus. Este é um desafio para toda a vida. Somente o Espírito pode nos ajudar neste ministério, pois é preciso saber o momento de ser brando, severo, sério, sereno, entre outras coisas.
Diante disso, um pai segundo o coração do Pai é aquele que conduz a sua família a Ele. Josué chegou a dizer dos seus: “Porém, se vos parece mal servir ao Senhor, escolhei hoje a quem sirvais: se aos deuses a quem serviram vossos pais, que estavam dalém do Eufrates, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais. Eu e a minha casa serviremos ao Senhor” (Josué 24.15).

O pai deveria ter grande interesse e dedicação em conduzir a sua família no serviço e na adoração ao Senhor. É muito triste a realidade atual, em que muitas vezes, o próprio pai é aquele que menos se dedica ao conhecimento do Senhor e à prática da religião cristã. O pai deveria conduzir os cultos domésticos, o tempo de oração em comum, a vida com Deus, a sua família ao lugar de culto público, ser exemplo de caridade e amor. É uma verdadeira lástima que hoje em dia muitos pais dão de ombro ao evangelho. Prestarão contas por tal omissão. É claro que não deverá impor nada a nenhum membro de sua família, mas no que couber a ele, deve servir de exemplo.

Um pai segundo Deus é também aquele que governa bem a sua própria casa, segundo as Escrituras. Paulo escreveu para Timóteo: “Fiel é esta palavra: Se alguém aspira ao episcopado, excelente obra almeja. É necessário, portanto, que o bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher, temperante, sóbrio, modesto, hospitaleiro, apto para ensinar; Não dado ao vinho, não violento, porém cordato, inimigo de contendas, não avarento, e que governe bem a sua própria casa,criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito”. (1 Timóteo 3.1-4).

Governar bem a sua própria casa, no sentido de administrá-la, é um requisito para que alguém se torne bispo/presbítero da igreja do Senhor. Logo, é algo esperado de alguém experiente, que serve a Deus, e que é modelo para a comunidade. Um pai não pode ser alguém ausente, que coloque sobre os ombros da mãe o cuidado e a educação dos filhos. Não. Um pai de verdade tem que estar integrado com tudo o quanto acontece dentro de seu lar.

Um pai segundo o coração do Pai também é aquele que ama sua mulher assim como Cristo amou a igreja, conforme está escrito, em Efésios 5.25-29 e seguintes:

Maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela. Para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem da água pela palavra, para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem cousa semelhante, porém santa e sem defeito. Assim também os maridos devem amar suas mulheres como a seus próprios corpos. Quem ama a sua esposa, a si mesmo se ama. Porque ninguém jamais odiou a sua própria carne, antes a alimenta e dela cuida, com também Cristo o faz com a igreja, porque somos membros do seu corpo.

O amor à esposa é aquilo que melhor poderá trazer segurança para os próprios filhos. O casamento é tão importante que serve de analogia para o próprio modo com que o Senhor se relaciona com sua igreja. Embora o pai seja responsável pela educação dos filhos, ele fará melhor tal ministério amando sua esposa, e estando em busca da harmonia com ela. Isso será sentido na própria tranquilidade do lar. Pais educam e exercem melhor sua autoridade de estiverem com o mesmo coração e pensamento.


Estas são algumas das características de um pai que quer se tornar cada vez mais parecido com Deus. Que o Senhor nos ajude, a todos nós que somos pais, nesta tão valiosa missão.

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