quarta-feira, 29 de abril de 2015

Estar morto para o pecado significa estar insensível a ele?

Que diremos pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde?
De modo nenhum. Nós, que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele? (Romanos 6:1-2).


Alguns mestres parecem ensinar que quando uma pessoa se converte está morta para o pecado, no sentido de que se tornou insensível a ele. Argumentam que uma pessoa morta não cheira, não enxerga, não escuta, etc. Logo, uma pessoa que morreu para o pecado não consegue apreciá-lo nem ser atraído a ele.

Aqui temos que tomar um pouco de cuidado com a sutileza do que disse o amado apóstolo, bem como ter um pouco de ressalva a tais interpretações.

Isso porque, segundo nos parece demonstrar a experiência, mesmo os maiores santos que existiram já comentaram da terrível tentação que sofreram, e já confessaram muitas vezes a si próprios como terríveis pecadores. O próprio apóstolo, em uma de suas epístolas confessou  si mesmo com “o principal dos pecadores” (1 Timóteo 1.15).

Outrossim, tudo indica que a própria sagrada escritura assim não ensina, caso contrário não seria necessário Paulo exortar os gálatas acerca da terrível luta entre a carne e o Espírito (Gálatas 5).


E é preciso ter cuidado com tais interpretações, pois muitos tendo sido nelas educados, acabam duvidando até mesmo da sua própria conversão quando passam por difíceis tentações.

Proponho uma breve interpretação para o “estar morto” para o pecado, que pode ser deduzida da continuação da leitura do capítulo seis de romanos.

Os fiéis estão unidos a Cristo, pelo batismo, sendo batizados na sua morte (vers. 3), tendo sido sepultados com Cristo (vers. 4). Os fiéis estão unidos a Cristo (aquilo que alguns chamam de “união mística”). Então, de algum modo, quando Cristo morreu como nosso representante, todos os fiéis estavam nele, pois, “se um morreu, todos morreram”.

Logo, se Jesus morreu para o pecado nós também morremos.

Cientes desta realidade, de que foram os nossos pecados que levaram nosso Jesus à cruz, logo, nós também morremos para o pecado, no sentido de que, para ele não mais vivemos.

Antes, éramos dominados pelo pecado, e na verdade, pode-se dizer que em grande medida ele era o fundamento, e o alvo de nossas ações. Entretanto, tendo morrido em Cristo, unidos a ele pela fé, não vivemos mais para o pecado, mas sim para a glória de Deus. Isso não significa que não podemos ser mais tentados na fraqueza da nossa carne. Significa que o pecado, entranhado no nosso “ego” não é mais o nosso alvo principal. Ou seja, é o fruto produzido pela verdadeira conversão, qual seja, a aversão pelo mal.

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